Entrevista com turma de Pedagogia sobre a tela viva de Guernica

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No dia 30 de novembro, a turma do curso de Pedagogia que apresentou uma tela viva da pintura Guernica, de Pablo Picasso, sob supervisão da Profª Denise Neves Brückner, falou sobre alguns detalhes da apresentação e da pintura cubista.

SOBRE A APRESENTAÇÃO:

– Dentre tantas opções de apresentação, por que a tela viva foi a escolhida?

A gente estava aprendendo sobre os movimentos das artes visuais, e paralelo a isso também estávamos fazendo oficinas de teatro para trabalhar o corpo, a comunicação, a interação em grupo. Casamos as duas coisas porque a tela viva traz o corpo como o elemento de composição do quadro. Então, a gente trabalhou os movimentos, as sobreposições de formas. Pegamos elementos pictóricos do quadro e trouxemos para o corpo.

– Por que a pintura de Pablo Picasso foi a escolhida?

Primeiro porque ela tem uma composição muito conflituosa. Se você reparar o movimento do quadro, ele é da direita para a esquerda. Isso dava para trabalhar muitas possibilidades, de composição de formas e figuras. Ele é um quadro cubista, e trazer a configuração desse estilo artístico para o corpo é um desafio. Mas, como estamos em um contexto acadêmico, quanto maior o desafio, melhor.

Segundo, o quadro tem um tema político. Ele foi uma encomenda do Governo Republicano Espanhol para atacar o fascismo que estava em ascendência por lá. Então, quanto mais profundidade tivermos em uma obra para trabalhar em uma tela viva, melhor será associar esse trabalho com o corpo. O Guernica surgiu reunindo todos esses elementos (política, formas, figuras, símbolos e minúcias) importantes para a gente.

– Porque a música Granada, de Isaac Albéniz, foi escolhida para fazer parte da apresentação?

Essa é uma música espanhola e cubista, igualmente a pintura Guernica. Ela tem compassos bem marcados, toque cadenciado. A gente procura sempre ter esse gancho do cubismo.

– Como aconteceram os ensaios?

A gente primeiro começou com um método de trabalho chamado “pré-texto”. O quadro serviu de inspiração para improvisações. E, a partir desses improvisos, vimos qual se alinhava figurativamente melhor ao quadro. Depois, começamos a engendrar elementos, deslocamentos no quadro, figurinos, maquiagem. Foi um trabalho de descoberta. Pegamos um material criativo para trabalhar em cima.

– Qual é a importância dessa apresentação para a formação profissional de vocês?

Estamos em um contexto artístico pedagógico. A arte tem uma função social de sensibilizar, de colocar o indivíduo em uma situação de provocação, incomodo ou arrebatamento. Isso para que ele consiga trabalhar as diversas transformações que existem na vida. Para a carreira docente é muito importante, porque enfrentamos desafios e dilemas éticos todos os dias. A sensibilidade artística traz para o professor um repertório de espontaneidade, porque conseguimos trabalhar a situação de forma justa, ética e não tão engessada. Avaliamos aquilo com uma abertura maior, um olhar diferente sobre uma situação diferente. Trabalhar a releitura de uma pintura faz com que tenhamos essa abertura maior.

SOBRE A PINTURA:

– O que a ausência de cores primárias, por exemplo, e a predominância do preto, branco e tons de cinza dizem sobre a pintura?

Quando Pablo Picasso pintou a obra, ele realmente queria que as pessoas olhassem e sentissem repudia pela guerra. Com essa escolha de cores, conseguimos perceber que as ações causadas pela guerra em Guernica foram desumanas. Elas são tão importantes para a composição da pintura que não poderiam faltar em nossa apresentação de tela viva.

– O que a lâmpada pode significar levando em consideração o contexto histórico representado na pintura?

Existem dois pontos de luminosidade. A luz da vela, que pode ser considerada uma figura feminina que representa consolo, um fantasma em ação durante toda a apresentação. E existe uma lâmpada encima como se fosse um olho onisciente, referente a Deus, que assistiu toda a guerra de forma silenciosa.

– Percebe-se que todas as pessoas retratadas estão com a boca aberta, o que torna a pintura uma arte sonora. Na sua opinião, se esse pequeno detalhe não existisse, a essência da obra mudaria?

A boca aberta representa um momento de desespero, um grito silencioso de dor, socorro e da guerra. Se elas estivessem fechadas, não seria muito impactante. Talvez nem fosse tão famosa.

– A pintura é recheada de elementos, grande parte deles com uma carga dramática muito forte. Qual é o seu elemento favorito e por que?

A mãe com a criança nos braços é um elemento impactante, uma figura que choca o público. O soldado morto segurando uma espada, além de ser uma referência a resistência, também é extremamente marcante.

– Se pudesse refazer a pintura de acordo com o panorama contemporâneo em que vivemos, o que mudaria e o que permaneceria?

É diferente, mas vivemos uma guerra. Seria interessante colocar justamente os contextos sociais diferentes que existem no mundo.

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