Entrevista com a Profª Viviane N. M. Danieleski

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A Profª Viviane N. M. Danieleski lançou O Mistério do Sono Profundo no final do ano passado. Além da trajetória profissional, ela conta tudo relacionado ao processo de escrita do primeiro livro.

“Se não dermos atenção para o que queremos fazer naquele momento, o tempo passa. E o tempo é o único recurso que não volta. Dinheiro e bens a gente ganha de novo, mas o tempo não. E é com o tempo que a gente constrói o amor.”

Trajetória profissional na UNIB:

Fui contratada para o curso de Gestão Financeira, e em 2012 lecionei Planejamento Tributário. Depois fui para Contabilidade. Também trabalhei bastante com Legislação Empresarial. Aí fui convidada para entrar na equipe de Direito e de Administração. Sou especialista em Direito Tributário e em Direito dos Contratos. Escrevi também um trabalho de Mestrado com o tema “O autor no design de joias: uma aproximação com o direito”. Acredito que sou uma pessoa fora da caixinha.

Como você concilia o trabalho acadêmico na UNIB com o trabalho de escritora?

Tem hora que eu não acredito. No segundo semestre de 2018, eu lecionei todas as noites e algumas manhãs. E ainda advogo, ou seja, durante o dia atendia clientes. É uma loucura. Acho que temos que priorizar. Aprender a fazer as coisas que você quer fazer logo cedo. Se não dermos atenção para o que queremos fazer naquele momento, o tempo passa. E o tempo é o único recurso que não volta. Dinheiro e bens a gente ganha de novo, mas o tempo não. E é com o tempo que a gente constrói o amor.

Você conseguiria descrever como o corpo docente da UNIB participou dessa sua nova jornada?

Eu sempre converso com professores de Direito e de outros cursos. Grande parte do corpo docente da Universidade Ibirapuera escreve. Após essa troca de ideias, percebemos que também estamos inseridos em uma comunidade de criação. Os alunos ficaram super felizes por mim.

Quais foram suas experiências anteriores com a escrita?

Fiz um curso de Escrita Criativa e tínhamos uma meta de escrever um conto. Aqui na UNIB, no período matutino, temos uma aluna do curso de Direito que é comandante de avião. Ela é mãe, estuda e é batalhadora. Pensando nela, escrevi esse conto. Durante a escrita, ela enviava sugestões. Acredito que se um leitor que trabalha na aviação se interessar pelo meu conto, ele vai achar a história verossímil. A aluna foi uma espécie de consultora nessa questão prática.

De onde surgiu a ideia para o seu primeiro livro infanto-juvenil?

A gente tem várias emoções. Uma dela é o medo. Às vezes ele ajuda, porque impede a gente de fazer coisas imprudentes. Mas o medo em excesso paralisa. E, se você parar para pensar, independente da profissão ou da classe social, todos sentem medo de alguém ou alguma coisa. Aí pensei: os adultos estão dormindo porque é lançada uma magia no mundo e esse medo aprisiona eles no sono. Apenas as crianças conseguem ficar acordadas e continuar andando, porque elas enfrentam os medos e possuem a bravura dentro de si.

Como foi o seu processo de escrita? Você teve alguma dificuldade?

Eu comecei a escrever no final de 2017. Primeiro, pensei na história. Depois, comecei a escrever. Só que chegou um momento em que eu tive uma espécie de “bloqueio”, não sabia como continuar a história. E o bloqueio criativo é verdadeiro, mas acredito que existem técnicas para destravar e continuar. Por exemplo, o curso de Escrita Criativa. Na verdade, ele deveria ser feito por todas as pessoas, independente se elas querem escrever um livro ou não. Enfim, em maio de 2018 voltei a escrever. Fiz todo o planejamento das ilustrações e a própria história com o auxílio de um caderno e caneta.

Por que você optou por fazer tudo com caderno e caneta?

Existe uma teoria na Educação de que quando a gente usa o corpo, ele entende que algo importante está acontecendo. Eu podia levar o caderninho para qualquer lugar, não tinha desculpa. É muito legal. Vários autores têm diários de escrita, o que ajuda muito.

Você escolheu o título antes ou depois de já ter escolhido a trama?

O título surgiu depois de umas três páginas. Os leitores vão ficar instigados a descobrir qual é o mistério da trama.

Qual é a sua relação com a revisão? É algo preocupante ou faz parte de seu cotidiano?

Não é fácil, principalmente por se tratar de um texto escrito por você mesmo. Assim, usei um artificio muito comum: os Leitores BETA. Além da revisora oficial, enviei a história para alguns amigos. Eles ficavam dando feedbacks interessantes para o desenrolar das coisas. Até mesmo meu pai deu algumas dicas. A linguagem é coletiva, sabe. Muitas pessoas pensam que o escritor é solitário, mas na verdade ele tem vários parceiros que ajudam bastante. Se eu não tivesse enviado o livro para meus amigos, provavelmente demoraria uns três anos para publicá-lo.

O que foi mais difícil para você com relação ao Mistério do Sono Profundo? Escrever a primeira ou a última frase?

Terminar. Na minha opinião, colocar a última pedra em tudo o que fazemos é sempre muito difícil. Existe uma dificuldade humana para terminar algo. Tive alguns problemas em colocar um ponto final na história de forma que a deixasse fechadinha.

Você tem algum personagem favorito dentro do seu próprio livro?

Não tenho. Eles são um conjunto, sendo que cada pedacinho foi muito bem pensado. Por exemplo, antes da publicação, a revisora pediu para cortar um personagem. Não consegui, porque eles são importantes de alguma forma para a história.

Quais conselhos você daria para uma pessoa que quer escrever um livro?

Escrever todo dia é o que vai destravar um jovem escritor. E não existe apenas a publicação de livros físicos. Pelo contrário, existem plataformas online que ajudam bastante. Uma dica: procure outros autores, faça parte dessa comunidade. O importante é começar a escrever e não se sentir sozinho.

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