Casa de Preto Também é Academia: Samba-enredo, Mulher Negra e Produção de Conhecimento

Escrevivência, ancestralidade e comunicação popular nos sambas-enredo de 2026

Autores

  • Aurora Maria Alves Seles Universidade Metodista

Resumo

Este artigo analisa como dois sambas-enredo anunciados para o Carnaval de 2026 constroem a mulher negra como sujeito de conhecimento, memória e ancestralidade: Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu, do Império Serrano, e Gèlèdés – Agbara Obinrin, da Mocidade Unida da Mooca. Parte-se do entendimento de que o samba-enredo ultrapassa a função musical do desfile e constitui prática comunicacional por meio da qual conhecimentos, identidades e projetos coletivos de existência são produzidos e compartilhados. O objetivo é compreender como as composições mobilizam a escrevivência — conceito desenvolvido por Conceição Evaristo que articula escrita, experiência vivida e memória coletiva —, a ancestralidade e a comunicação popular para produzir e legitimar epistemologias negras. A pesquisa é qualitativa, bibliográfica, documental e interpretativa, fundamentada na análise cultural e discursiva das letras. O corpus foi selecionado pela convergência temática entre obras que apresentam mulheres negras, divindades femininas, personagens literárias e tradições afro-brasileiras como sujeitos de memória e conhecimento. A análise articula comunicação popular, Estudos Culturais, semiótica da cultura e pensamento feminista negro. 

Biografia do Autor

Aurora Maria Alves Seles, Universidade Metodista

Profissional da comunicação com perfil estratégico, empático e altamente crítico, alio sólida capacidade analítica a uma comunicação clara e eficaz. Leitora assídua, valorizo o diálogo qualificado, o pensamento reflexivo e o compromisso com a construção de sentidos responsáveis. Tem forte conexão com a natureza e acredito no poder das boas conversas como ferramenta de transformação social. Atualmente, é mestranda em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo. É jornalista, com especializações pelo Instituto de Psicologia da USP e em Marketing e Comunicação Publicitária pela Faculdade Cásper Líbero, além de formação em Cultura, Educação e Relações Étnico-Raciais (USP). Atua como professora de Comunicação no Centro Universitário FIEO, na Universidade Ibirapuera, no Instituto Proa e no Senac São Paulo. Professora nos cursos livres e técnicos do Senac, em: Assessoria de Imprensa, Media Training, Redações Jornalística e Publicitária, Jornalismo Cultural, Comunicação Escrita e Revisão Gramatical, Relações Públicas, Comunicação Assertiva nas Organizações, Comunicação Interna e Endomarketing, Como falar em público e Português para estrangeiros). É palestrante e consultora de comunicação. Desenvolveu excelentes trabalhos no exercício de assessora de comunicação das escolas de samba Tom Maior, Sociedade Rosas de Ouro e Vai-Vai, experiências que consolidaram sua expertise em cultura, identidade, gestão de imagem e comunicação institucional.

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Publicado

2026-08-31

Edição

Seção

Artigos